Área equivalente ao Paraná foi desmatada inutilmente na Amazônia


Quem viaja pela Amazônia fica impressionado com a quantidade de terras desmatadas, mas que são pouco produtivas ou improdutivas em termos agropecuários; ou seja, não são usadas para as finalidades de quem desmatou. São imensas áreas de pastos sujos e capoeiras (floresta que iniciou a regeneração após a degradação do pasto ou uso agrícola itinerante). Enfim, são florestas que foram desperdiçadas.

Finalmente, agora temos números sobre o desperdício. A Embrapa e o Inpe lançaram esta manhã os resultados do projeto TerraClass Amazônia que mapeou a cobertura do solo nas áreas desmatadas até 2007.

Com números divulgados por um colega (@LuizMotta) que acompanhou a apresentação dos resultados em Brasília, fiz algumas análises preliminares.

Os pastos sujos e degradados somavam 37% ou quase 20 milhões de hectares. Esta área equivale ao Estado do Paraná ou duas Coréias do Sul desmatados inutilmente.

O impacto deste desmatamento improdutivo na biodiversidade foi astronômico: 11,4 bilhões de árvores acima de 10 centímetros viraram fumaça e cinzas; 11,5 milhões de macacos e 354 milhões de aves morreram ou foram desalojados*.

Agora é hora de pensar no que fazer destas áreas. Parte delas pode ser transformada em plantios agropecuários e florestais e outras partes deveriam voltar a floresta nativa porque tem baixo potencial agropecuário e também para cumprir a Reserva Legal. A proporção para cada uso deve considerar as condições agronômicas, fundiárias e legais locais. De qualquer forma, é possível imaginar que a produção agropecuária pode aumentar muito mesmo com uma fração dos 20 milhões improdutivos.

Ademais, a produção pode aumentar muito mesmo nos pastos que estão limpos. O professor Moacyr Corsi da USP declarou recentemente que o aproveitamento dos pastos no Brasil fica em torno de 40% a 50%. Eu o acompanhei em Paragominas onde ele mostrou isso no campo. O gado não come todo o capim por erros de manejo do pastoreio. Se considerarmos um ganho bastante modesto (20%) na melhoria do pastoreio dos 33 milhões de hectares de pasto limpo seria possível aumentar em pelo menos 7 milhões de cabeças de gado nos pastos já abertos.

Em resumo, essas análises muito simples indicam quão é absurdo o Brasil continuar desmatando a Amazônia já que desperdiçamos tanto do que já foi desmatado.

*Para estimar o impacto na biodiversidade considerei as estimativas da densidade de indivíduos apresentados neste estudo.

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