A revisão da estratégia da International Finance Corporation – IFC na Amazônia


No dia 9 passado conversei com Jyrki Koskelo, um dos vice-presidentes da International Finance Corporation – IFC que é um dos braços do Banco Mundial. Ele visitou o Pará como parte da revisão que está fazendo da estratégia da IFC na Amazônia. Este ano a IFC cancelou o seu empréstimo para o frigorífico Bertin que tem operações no Pará. Seu interesse era saber as tendências econômicas e ambientais da região, a ligação delas com mudanças climáticas e como o a IFC pode ser útil.

Ele gostou de saber dos avanços das várias ações contra o desmatamento, incluindo a melhoria da fiscalização, as ações do Ministério Público Federal e do Greenpeace contra a produção e comércio de gado em fazendas ilegais e os compromissos que os frigoríficos assumiram de exigir que os fazendeiros cumpram as leis. Ele enxergou isso como um processo na direção correta e, baseado em suas experiências em outras situações (ex: transição econômica no leste europeu), ele ficou otimista. Afirmou que se as pressões continuarem, as empresas farão a transição.

Porém, conversamos sobre o risco dos órgãos públicos serem incapazes de responder adequadamente a todas essas pressões para a regularização das fazendas; isto é, eles terão de responder às solicitações para regularização fundiária e ambiental, mas estão mal estruturados e/ou são ineficientes. A IFC não terá como melhorar essa capacidade de resposta, já que empresta apenas para o setor privado. Porém, o Banco Mundial apóia a estruturação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e o Instituto de Terras do Pará. O Pará também está negociando projeto de apoio do BNDES para melhorar a gestão ambiental.

Com o correto olhar de investidor, ele questionou se as fazendas serão lucrativas após investirem na regularização fundiária, trabalhista e ambiental.  Curiosamente, eu havia conversado sobre isso pela manhã com meu estagiário de economia. De fato, parte das fazendas pode se tornar inviável – por exemplo, aquelas localizadas em fronteiras distantes que só são viáveis agora porque ocuparam terras públicas gratuitamente e porque não cumprem a legislação trabalhista.   A viabilidade vai depender de um aumento de produtividade e de toda uma reestruturação do setor. Esse é um tópico crítico para pesquisa.

Alguns fazendeiros mais estratégicos já estão buscando apoio para a adaptação. Por exemplo, um grupo em Paragominas no Pará está se organizando para adotar o programa Boas Práticas Agropecuárias da Embrapa. Se tudo correr bem, eles querem chegar a certificação. Além de adotar as melhores práticas já existentes, eles estão buscando apoio para pesquisa que permita melhorar as práticas no futuro e para avaliar o efeito das práticas que eles já estão adotando.

Como ele estava no inicio da viagem, não adiantou a direção em que a revisão da estratégia está indo. Porém, saiu com perspectivas mais positivas sobre o futuro da região.

No final ele fez uma revelação interessante. A China tem pressionado a IFC a ter um maior papel no tema de mudanças climáticas. Essa informação é coerente com várias notícias de que a China quer avançar mais rapidamente. Em grande parte, a mudança de atitude chinesa foi provocada por tempestades extremas que levaram a mais de 100 mil mortes e a destruição de 200 mil residências em 2008. Ou seja, os chineses tiveram o equivalente ao Katrina nos Estados Unidos. Enfim, pequenos exemplos do que as mudanças drásticas do clima podem nos trazer podem estimular mudanças políticas rápidas e mais consistentes. Tomara que não precisemos esperar novos eventos extremos para quebrar a resistência dos céticos.

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