Plano estratégico do Ministério da Agricultura ignora o desmatamento na Amazônia


Daqui a 43 dias líderes mundiais se reunirão na Dinamarca para discutir o que fazer para evitar mudanças climáticas catastróficas.  Autoridades brasileiras vem dizendo que o Brasil terá um papel de liderança no encontro. O Ministério do Meio Ambaiente – MMA propõe que o país assuma a meta de reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia até 2020; isso porque as queimadas para limpar os solos após o desmatamento são responsáveis por mais da metade das emissões de gases de efeito estufa do país. Alguns têm criticado o governo por não assumir a meta de reduzir a zero o desmatamento.

Queimada no sul do Pará. Foto: Jimmy Grogan

Queimada no sul do Pará. Foto: Jimmy Grogan

Porém, independentemente do nível das metas brasileiras, é provável que o MMA continue sem o apoio daquele que deveria ser um dos principais aliados no combate ao desmatamento: o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. Pelo menos, é isto o que se depreende do Plano Estratégico 2009 -2015 deste Ministério. Apesar das áreas desmatadas serem destinadas para usos agropecuários, o plano lançado esse ano sequer menciona as palavras desmatamento ou desflorestamento. A desconsideração do MAPA em relação ao desmatamento não é surpresa, pois análises já demonstraram a pouca mobilização deste ministério para executar suas tarefas no plano de prevenção e controle do desmatamento, iniciado em 2004 (ver análise do Greenpeace e estudo contratado pelo MMA).

O plano estratégico do MAPA menciona que o aquecimento global poderá gerar oportunidades “por meio de projetos de redução e de sequestro desses gases, como biocombustíveis, sistema de plantio direto, reflorestamento”, mas não detalha como aproveitar essas oportunidades. Outra falha é a omissão sobre o que fazer quanto aos riscos que as mudanças climáticas trazem para a agropecuária nacional. Isto é grave já que um dos documentos que basearam o planejamento estratégico menciona que “mudanças climáticas severas” estão entre as incertezas sobre o futuro do setor. A recessão mundial e o aumento do grau de protecionismo nos países importadores seriam as outras duas incertezas.

A omissão do desmatamento do plano estratégico do MAPA sinaliza a baixa coordenação das ações do governo quanto às mudanças climáticas e quanto à Amazônia. Se o Brasil vai mesmo apresentar metas expressivas nas reuniões na Dinamarca, e mais importante, se quiser cumprí-las, o atual e os próximos Presidentes da República terão de coordenar melhor as ações governamentais contra o desmatamento.

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